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Casa Comum das Tertúlias

Blog da CCT. Espaço de intervenção e de reflexão. Aqui a Cultura e a Democracia são as prioridades. Participem.

terça-feira, outubro 16, 2012

Castelo Branco, um deserto cultural de 1990 a 2010?*

Naquela coisa do "sobe e desce", os "mais e os menos da semana" a que nos habituou a comunicação social... deparo com isto no "Jornal do Fundão", 11/10/2012: 
"Castelo Branco foi durante as duas últimas décadas uma cidade deserta de cultura, sem programação, sem acontecimentos".


As duas décadas anteriores, pressuponho que estando nós em 2012, se estejam a referir aos anos de 1990 a 2010! 



Ao nível autárquico falamos do último mandato de César Vila Franca (PSD), que terminou em 1997 e todos os mandatos de Joaquim Morão (PS), desde 1997 até ao último iniciado em 2009, sendo que neste último ano  assumiu a programação cultural na cidade Carlos Semedo; coincide ainda com a vereação na cultura no que toca aos executivos socialistas: Maria Manuel Viana, Joaquim Leonardo Martins e Maria Cristina Granada.

Nestes 20 anos entram a acção da Alma Azul, da Casa Comum Das Tertúlias (cujas actividades o JF cobriu de forma muito deficiente), a "Primavera Musical", as actividades em Belgais, as actividades da ESART, a "Cultura Politécnica", a reabertura do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, a reabertura do Cine-teatro Avenida (e da Galeria de Exposições Temporárias da Sala da Nora), a abertura do Museu do Canteiro, a abertura do Museu Cargaleiro, o novo edifício da Biblioteca Municipal de Castelo Branco, a abertura ao público da Casa do Arco do Bispo (com a Galeria Clemente Mouro), o nascimento do "Grupo de Teatro Váatão", as actividades da "Carroça", dos "Cães à solta", os clubes cinema de Castelo Branco e o de Alcains, a existência da revista Raia, o regresso da revista "Estudos de Castelo Branco", o programa de rádio "(In)dustriad'arte" ou uma iniciativa ininterrupta que cobre na íntegra estas duas décadas as Jornadas de História da Medicina na Beira Interior... a existência de três semanários locais (Reconquista, Gazeta do Interior, Povo da Beira... dois deles fundados nestas duas décadas), um sobre o ensino superior (Ensino Magazine), contra o único (NC) de uma cidade (e outro, CC de uma importante vila, na Sertã) onde... por falta de notícias (!?), fecham em Agosto (mês também "difícil" para o PB, se bem que ficam ainda dois semanários na Castra Leuca, bem activos) e muito mais poderia acrescentar.


Aconselho ao autor desde "bojarda" a leitura do meu texto sobre "A Cultura em Castelo branco" (em nota), datado de 25/05/2001 e publicado no "Reconquista", sendo um dos textos que publiquei no livro "Manifestos contra o medo: antologia de uma intervenção cívica", da minha autoria.



Quem assinou aquela "avaliação", apressada, parcial e desinformada, de quem não sabe do que fala, deveria pensar nestes factos, no que às actividades da Casa Comum das Tertúlias diz respeito:
- 146 iniciativas culturais
- 80 delas em Castelo Branco 
- 11 anos de actividades
- presença de jornalistas, do Jornal do Fundão, nas nossas iniciativas realizadas em Castelo Branco, apesar de sempre terem tido nestes 20 anos de "deserto cultural" (JF) um correspondente na cidade capital de distrito? ZERO (nem uma só presença!!!)


Com base em que estudo o afirma o jornal? 

Com base em que levantamento estatístico? 

Quem assina esta "pérola"? Quem dá a cara por ela?
Os meus caros amigos e as minhas caras amigas estão de acordo?


A quem propósito vem essa do deserto!?

*Luís Norberto Lourenço


Nota:
A Cultura em Castelo Branco*

Há alturas em que negar uma palavra amiga é tão grave como ficar calado perante as injustiças.
Desenvolvendo a Cultura também se cumpre Abril.
A Cultura em Castelo Branco deu um salto qualitativo e quantitativo sem precedentes nos últimos cinco anos, sobretudo nos últimos dois.
Para isso contribuíram: a criação da revista mensal “Raia” (que faz quatro anos em Setembro); a criação pela “Alma Azul” da revista mensal “Alcains 2000”; a abertura da Livraria “A Mar Arte” (por toda a actividade da mesma que vai muito para alem da simples venda de livros, o que por si só já era importante); as iniciativas (lançamento e apresentação de livros e recitais de poesia) da “Alma Azul” – que abriu uma delegação em Castelo Branco – como o Encontro de Poesia Alma Azul; os Ciclos de Teatro do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB); os Ciclos do IPCB; a Cultura Politécnica, da responsabilidade do IPCB; os Ciclos de Teatro para a Infância e a Juventude (realizou-se o II este ano) organizado pela Delegação Regional [de Castelo Branco] do Instituto Português da Juventude (IPJ) e pelo “Váatão”; os concertos no Centro de Estudo para as Artes – Belgais – os quais têm entrada livre e a cujo acesso é garantido transporte gratuito pela Câmara Municipal de Castelo Branco; a reabertura (15 anos depois!) do Cine-Teatro Avenida – faz em Setembro um ano – e todas as iniciativas aí realizadas e a criação da Agenda Cultural do mesmo; a “Primavera Musical”, organizada pelo Conservatório Regional de Castelo Branco e que realizara em Maio o VII Festival Internacional de Música de Castelo Branco; a criação da Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART) do IPCB e, por esta, da Orquestra de Câmara da ESART; a criação do Museu de Tapeçaria do IPCB; a realização das duas (extraordinárias) edições (que devem repetir-se) do “Raia sem Fronteiras. Festival de Cultura”; a abertura da Casa do Arco do Bispo; as iniciativas de índole cultural da Delegação Regional do IPJ; a reabertura – depois de estar vários anos encerrado para obras – do Museu Francisco Tavares Proença Júnior e tudo o que este tem promovido, desde a possibilidade de consultada sua biblioteca, às exposições, aos cursos de bordados, às conferências e aos ateliês; a criação do grupo de teatro albicastrense “Váatão”; a criação da Evasão – Ateliê de Artes; as exposições no Museu de Arte Sacra da Misericórdia de Castelo Branco, na Galeria Manuela Cruz, na Galeria Rural Arte, na Galeria Bar Património, no Hotel Meliá Confort Colina do Castelo, na Casa do Arco do Bispo, na Sala da Nora no Cine-Teatro Avenida e no Arquivo Distrital de Castelo Branco; a disponibilização aos leitores albicastrenses de mais de 10000 livros (doados pelo ex-Governador Civil, Dr. Vasco Silva ao PCP), cedido pelo PCP à Biblioteca da ESE do IPCB; a instalação na cidade de uma Delegação Regional da RTP, donde é emitido o programa “Regiões/Castelo Branco”, importando, no que à divulgação das actividades culturais na Beira Interior diz respeito; a abertura da Delegação Regional do IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico) e, por último, Castelo Branco é desde o fim do ano que passou Pólo de Excelência Cultural, sendo o único concelho da Beira Interior a integrar este programa do Ministério da Cultura e uma das dez cidades que o integram.
Estes serão, se quiserem… filhos da Utopia que já nasceram.
A nova Biblioteca Municipal de Castelo Branco, o novo Arquivo Histórico Municipal de Castelo Branco, a elaboração duma Agenda Cultural – mensal, que a cidade já começa a exigir – do Concelho de Castelo Branco e a reabertura do Museu Académico.
Estes serão os filhos da Utopia esperados brevemente.
Não tenho memória de, em tão curto espaço de tempo, ter assistido a tantas peças de teatro, a tantos recitais de poesia, concertos de música, lançamentos e apresentações de livros como nos últimos meses em Castelo Branco.
Só com esta verdadeira revolução cultural pode Castelo Branco vir a contar com uma verdadeira consciência crítica.
Agora, meus amigos ter oferta cultural é uma coisa e saber e querer aproveitá-la é outra.
Esta é uma cidade muito estranha… antes queixavam-se as pessoas de que não acontecia nada, agora que acontece… aderem muito pouco.
No entanto, a Cultura está no bom caminho em Castelo Branco, para admiração de alguns e inveja de outros.

*Luís Norberto Lourenço

[Publicado no “Reconquista”, em 25/5/2001. Este texto obteve, no sábado seguinte, uma reacção no programa “Indústriad’arte” da Rádio Beira Interior, aplaudindo o artigo de opinião mas dando “o toque” à ausência duma referência ao programa. O autor destas linhas, que se encontrava a ouvir o programa, telefonou para a RBI e aceitou o reparo. O resto faz parte duma certa história cultural.]

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1 Comments:

At 12:38 da manhã, Anonymous Sérgio Pereira said...

Ao nível académico sugiram revistas como por exemplo: "Arte & Média",
"Academia.Cb - Facab em revista", Projecto "Eu". alguns Jornais académicos também foram publicados como: "O Sumário", "O Traje", "Tortulia do Estudante". E isso apenas num relance. Livros como "Palavra Partindo-se" e a edição faximilada do Primeiro tratado de Fotografia Português. E isto apenas em pouco mais de metade de uma década.

 

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